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Título: O Estranho Ano de Vanessa M.

 

Autor: Filipa Fonseca Silva

Páginas: 197

Editora: Bertrand

 

Sinopse:

"Quando entrou no carro, naquela tarde de Inverno, Vanessa não sabia que estava a embarcar numa viagem sem retorno. Uma viagem interior, que pôs em casa todas as suas escolhas e, acima de tudo, toda uma vida construída em torno das expectativas e opiniões dos outros. Entre momentos trágicos e cómicos, que envolvem uma mãe controladora, uma tia hippie, um casamento entediante, um chefe insuportável e uma amiga que não sabe quando se calar, o Estranho Ano de Vanessa M. conduz-nos numa viagem de autodescoberta e faz-nos reflectir sobre o sentido da vida e o poder que temos de, a qualquer momento, colocar tudo em questão. Porque a busca da felicidade não tem prazo."

 

Crítica Literária

 

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Updates e cenas

escrito por raquel, em 07.07.14

Vim só fazer um update. Primeiro quero avisar que ando sem tempo para atualizar a secção Raquel in EF: The Best, por isso peço-vos para, se estiverem interessados, irem aqui. De qualquer forma deixo-vos duas críticas literárias que fiz lá e que gostava muito que lessem (e se gostarem ou tiverem alguma crítica a fazer podem deixar um comentário lá): crítica a África Acima de Gonçalo Cadilhe e a A Viagem do Elefante de Saramago. À parte isso, tenho orgulho em dizer que vou ajudar o MUVI no acolhimento. É um Festival Internacional de Vídeos e Documentários Musicais, que ocorrerá de 3 a 7 de Setembro, em Lisboa. Mas antes disso vou a Inglaterra de 23 de Julho a 7 de Agosto: vou ficar hospedada em Saxmundham, mas tenciono visitar Londres e Colchester, por isso se tiverem sugestões de sitíos a visitar ou coisas a fazer, sintam-se à vontade. Em princípio vou escrever um diário de bordo que será publicado no Espalha Factos e muito provavelmente farei algo ainda mais pessoal aqui, o meu pseudo-blogue de viagens escrito em inglês. Pronto, não me lembro de mais nada, acabei o primeiro ano com média de 14,1 (graças à miséria do segundo semestre) e agora já há muito que estou de férias no Algarve. Espero que também estejam a aproveitar bem as férias.

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Elogiar sabe tão bem, ser elogiado é ainda melhor

escrito por raquel, em 01.07.14

Sinceramente não faço ideia, porque estou sempre a fazer elogios. O mais frequente é "cheiras muito bem". Digo-o sobretudo aos meus amigos rapazes, que por acaso têm muito bom gosto para perfumes. Mas sabe ainda melhor dizer um "cheiras muito bem" quando o cheiro é o natural e mesmo assim até nos arrepia a espinha. Outro que digo muito, mas a mulheres, é "gosto imenso de [e nomeio a peça de roupa ou o calçado da dita cuja]". No que diz respeito a amigas, como as minhas adoram pintar o cabelo ou mudar de penteado normalmente esse é outro elogio que costumo fazer: "fica-te bem o novo look". Depois há os elogios mais substanciais, sobre a prestação numa apresentação oral ou a escolha de uma decisão difícil. No entanto, confesso que o que eu gosto mesmo é de ser elogiada. Por isso, deixo alguns elogios que me fizeram e que gostei muito:

  •  "Acabei de conhecer uma miúda inteligente".
  • "It's nice seeing you smile, you're always similing. You're such a nice person to have around, 'cause you've a good vibe" 
  • "Quando me lembro de ti, lembro-me da tua bondade e do teu sorriso".
  • "Tu és uma mulher bonita, com uma beleza exótica de Moura encantada".

E vocês, algum elogio que vos tenha marcado?

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Estávamos cheios de fé

escrito por raquel, em 26.06.14

Sobre a nota de TIR nem vale a pena falar. Não fui fazer melhorias, apesar das notas deste último semestre terem sido uma vergonha. Bem, a minha mãe diz que não é vergonha nenhuma ter conseguido fazer o 1º ano sem deixar nada para trás, que há vitórias grandes e vitórias modestas: é mesmo mãe psicóloga, está visto, se não obrigava-me a ficar a semana passada em Lisboa a refazer a borrada. Que se lixe! Já só faltam mais dois anos, inacreditável! Enfim. Falemos do jogo de hoje. Fui ver Portugal a "jogar" com uns amigos meus, mais uns amigos dos meus amigos, num café cá da cidade. Aquilo estava cheio de gente com fé. Eu curti de fazer piadas muito pouco patrióticas enquanto bebia uma Radler bem fresquinha e os gajos só começaram a marcar golos quando eu me decidi a enfiar uma tosta napolitana no bucho. Ah, esperem! Os gajos do Gana, claro, porque aquele primeiro golo... Vocês sabem, pronto, não vou bater mais no ceguinho. Se vocês pudessem ter visto e ouvido a gritaria dentro daquele café. Cada vez que nos aproximávamos da baliza adversária já estávamos a marcar um golo, minha nossa, nem sei como estou aqui para contar. Olhem, logo a seguir, depois de comer o meu frango com molho agridoce, vamos todos afogar as mágoas, está feito. Entretanto vou começar a pensar num sábado de praia, que já mereço.

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A minha vida é miserável outra vez

escrito por raquel, em 18.06.14

Bem, por onde hei-de começar? Pelo 7 a uma frequência com consulta? Pelo 7 a uma frequência com consulta que me correu muito bem? Pelo 7 a uma frequência com consulta que me correu muito bem e para a qual estudei? Não. Já sei! Vamos começar pelo facto de eu estar à espera desde ontem da nota de TIR e a senhora professora adiar o exame para ter mais tempo e ainda assim nos ter assegurado que ia sair hoje de manhã e afinal nada, népia, nentes, nicles batatóides. Eu podia estar no Algarve a apanhar banhos de sol, bem, a esta hora já não, mas podia estar no Almariado com o pessoal ou na discoteca ou no Sítio Café ou mesmo só sentada num banco de jardim a pensar no quão maravilhosa está esta noite e como é bom estar de férias. No entanto, estou em Lisboa, no meu quarto de residência minúsculo, à espera que o episódio 6 da 2ª temporada de Grey's Anatomy acabe de carregar porque senão me distraio com algo entro em surto psicótico, se bem que acho que entrei em surto psicótico assim que vi o 7 horroroso a sistémica, um 7 que se traduz num 11 como nota final, graças a um trabalho que até gostei de fazer e que previa uma frequência brilhante. Bem, por esta altura já devem ter reparado que estou mais que um bocadinho fragilizada e claramente aborrecida e super necessitada de algum tipo de consolação. Amanhã vou ter que arrastar o que resta do meu corpo até à faculdade, porque tenho que ir descobrir em que planeta é que a minha frequência vale um 7. Sinto-me cansada, com a cabeça feita em papa, a precisar urgentemente de alguém que me faça companhia, mas parece que anda tudo desaparecido por estes lados e estou farta de sair do meu quarto para confirmar o que já sei. Este ano começou tão bem para dar comigo em doida agora, que eu só precisava de paz, amor e sucesso. E acabou de sair a nota de TIR, já volto.

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Guide Tour a CC na FCSH/UNL

escrito por raquel, em 09.06.14

Sei que tenho andado ausente, mas com tanto para fazer é complicado escrever aqui. É a faculdade, o Espalha Factos, o TPN, as ME, a AEFCSH, a vida social, enfim, um carrossel de actividades e de emoções. Às vezes sinto-me a viver dentro de uma misturadora e, à medida que vou ganhando um novo sabor, estou também a ser triturada vezes consecutivas. Se o resultado vai ser uma mistela esquisita ou um batido viciante não faço ideia, mas esforço-me por descobrir. Com o fim do primeiro ano de licenciatura, já só anseio pelas minhas merecidas férias, sim!, porque neste momento estou apenas numa fase de descanso à espera que me digam se posso dedicar-me 100% ao bronze ou se ainda há recursos e/ou melhorias para se fazer. De qualquer forma, vim para vos actualizar e para vos fazer uma guide tour àquele que foi o meu primeiro ano, o que julgo que será mais útil para quem esteja interessado em frequentar Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa. Portanto, se tiverem amigos ou amigas que tencionam ser meus caloiros para o ano, ofereçam-lhes esta publicação como presente. E lembrem-nos que a média é alta (16,8 do último colocado: eu entrei com 17,5), porque no dia aberto conheci pessoas com média de 13 que me deram vontade de chorar, uma vez que, pelo menos, 1/3 eram pessoas adoráveis e interessantes que eu teria adorado ter como colegas.

Primeiro, voltemos a falar da Praxe. Não é um bicho de sete-cabeças. Falei com alguns potenciais caloiros no dia aberto da faculdade que estavam super reticentes em participar. Choca-me que se deixem levar pelo novo movimento "a culpa é da praxe". Eu entendo que tenham mais dúvidas, mas nesse caso coloquem-nas. É verdade que há praxe que não serve para integrar, que é uma desculpa para veteranos e doutores se vangloriarem pela sua suposta maioridade em relação aos novos rebentos. Mas a praxe de CC na FCSH/UNL é leve, divertida e enriquecedora. Também não é um mar de rosas, mas basta percebermos que o objetivo dos veteranos e doutores não é fazerem efectivamente amizade connosco, mas incentivar-nos a fazer amizade uns com os outros, porque estamos no mesmo barco, vamos ser colegas durante 3 anos e temos de arranjar maneira de nos divertirmos mais do que àquilo que eles nos vão tentar chatear. Não parece muito mau, porque não é! Vão tentar fazer com que se sintam crianças, mas quem não gostava de poder voltar à creche? Quão mau é imitarem tartaturgas, a Miley e cantarem canções tão rídiculas que daí a um bocado estão a rir-se que nem baratas tontas? Ok, as baratas provavelmente não se riem, mas vocês perceberam a ideia. Também vos vão tentar embebedar, mas se não se sentem entusiasmados lembrem-se que é a borla (e que podem sempre dizer que não, já agora). Além disso, não há muito mais que devam esperar: vão cantar, ouvir gritos (é provavelmente o pior e eu ri-me quase sempre), falar uns com os outros à socapa, dançar ridiculamente, escrever poemas para oferecer, ter que sensualizar com uma colher-de-pau gigante (ou simplesmente dizer "não, obrigada" e ver outros a fazê-lo), pedir emprego a jornais (como o DN), etcetera. Por isso, aconselho-vos mesmo a experimentarem e experimentar não significa ir ao primeiro dia e desistir logo a seguir, significa irem no mínimo a dois (embora eu acho que se é para desistir, desistam só à terceira). Podem vir a supreender-se. Eu fui e gostei. Houve dias em que me apeteceu mandar pessoas para o caralho, mas isso apetece-me frequentemente e eu só tive uma semana de praxe. Quando acham que devem dizer não, digam e expliquem porquê: se o veterano ou doutor não perceber é porque é um mente capto e nem merece que estejam a olhar para ele e, nesse caso, há centenas de veteranos ou doutores a quem podem pedir ajuda. Não vão morrer se não forem à praxe, mas também não vão morrer se forem, garanto-vos! Vão fazer amigos, muito provavelmente vão conhecer as pessoas que se vão tornar os vossos fiéis companheiros de aventuras (e outros que vão dar à sola na semana a seguir à praxe porque já não és suficientemente bom) e vão divertir-se à grande durante uma semana (uma semana em que terão de faltar a algumas aulas, o que não vos vai prejudicar, asseguro). Arrisquem e petisquem.

Quanto às cadeiras em si, o primeiro ano tem estrutura fixa, ou seja, não há opcionais e vais ficar preso a unidades curriculares de tronco comum e, portanto, ou fazes ou fodes-te. Antes de abordar as uc uma a uma, aviso já que podem vir a dar por vocês a ter surtos psicóticos e a perguntarem qual foi a vossa ideia quando se meteram num curso tão teórico. Porque sim, CC na FCSH/UNL é um curso bastante teórico, sobretudo no primeiro ano. Não se iludam. Eu vim preparada, por isso não tive nenhuma desilusão. Informei-me bastante bem antes e tinha (e continuo a ter) a certeza de que a FCSH é o lugar certo. A teoria serve para nos dar boas bases: não podemos construir nada se a primeira base for uma valente porcaria, a não ser que queiramos mesmo que mais tarde ou mais cedo a estrutura caia toda por terra. Depois, a teoria serve para nos pôr a reflectir, para fomentar o espírito crítico e acreditem que criticar vai ser das coisas que vocês vão aprender melhor a fazer, a começar por criticar as cadeiras que mais tarde vão perceber que afinal serviram para alguma coisa. Por isso, se em setembro acharem que fizeram a escolha errada voltem a reler isto: se não doer é porque não estás a fazer o que é suposto, não te preocupes, tudo há-de melhorar. Também não fiquem a achar que vão ter professores super iluminados, daqueles que terão lugar nos agradecimentos do vosso bestseller. Metade vão ser umas bestas, a outra metade vão ser bestas que por acaso sabe o vosso nome. Pronto, se calhar estou a exagerar: tive professores bastante porreiros, mas de qualquer maneira continuo a duvidar que algum deles saiba o meu nome. Outra nota: também não vão deixar de ter colegas palhaços, colegas nariz empinado, colegas barbie, enfim, a panóplia interessante de que esperam ver-se livres agora que o secundário chegou ao fim. A única diferença em termos de personagens é que vão aprender a fazer amizade com todo o tipo de gente, em vez de escolherem só um grupinho. Quanto ao burburinho inconveniente nas aulas, esse não vai acabar, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa: vão continuar a haver alunos que não sabem estar em sala de aula e, muitas vezes, vocês próprios vão ser esses alunos, por isso é bom que não se armem em supremos defensores dos bons costumes. Fazer merda é uma arte que cabe a toda a gente pelo menos uma vez na vida: conformem-se. Posto isto, passo à fase seguinte.

No meu 1ª semestre tive:

  • Teoria da Comunicação: A professora era muito simpática e avisou logo de início que não queria saber o nome de ninguém, por uma razão de justiça - afinal é impossível saber o nome dos 100 e tal alunos presentes no auditório. A matéria é interessante, ainda que seja vaga por vezes. De qualquer forma, consiste em analisar textos, como o da Torre de Babel, e não exige um QI de génio. Envolve sociologia e debates entre a turma. É uma cadeira que se faz bem.
  • Teoria da Notícia: É uma cadeira de jornalismo, que eu gostava de ter aproveitado melhor. A professora tem uma óptima projecção de voz e eu perguntei-me várias vezes porque raio é que não está ela a trabalhar no campo, em vez de estar numa sala de aula. Não foi de todo a minha docente preferida: bate muitas vezes na mesa e está constantemente a mandar os alunos calar. Obviamente que a culpa não é dela, mas existem estratégias muito melhores para manter o bom funcionamento de uma aula. A cadeira estuda um bocadinho da história do jornalismo, os valores de noticiabilidade, a importância da objectividade e também da emocionalidade, etc.
  • História dos Media: A minha cadeira preferida de todo o semestre (e provavelmente do ano inteiro). A começar pela professora que é amorosa e tinha uma estratégia brilhante para nos fazer calar: quando havia demasiado barulho, parava a meio das frases e ficava a olhar para nós como uma foca a morrer na praia. Era trigo limpo, farinha amparo! De resto, é uma cadeira de história normal, mas virada para os media. Para quem já gosta de história é super interessante. Para quem não é assim tão fã, faz-se bem de qualquer forma. 
  • Comunicação e Ciências Sociais: A professora não vai fazer grande diferença na vossa vida. A cadeira é uma injecção maravilhosa de sociologia e vão poder fazer um trabalho para desenjoar da leitura de tantos artigos. Vai ser canja.
  • Semiótica: O suposto cadeirão do primeiro semestre. Ninguém percebe o que é nem para que serve. É aquela cadeira que vos vai moer a torto e a direito, mas vão chegar ao fim e pensar como é que passaram. No meu caso, eu odiava semiótica no princípio e depois passei a gostar imenso e a perceber o que se pretendia. Há quem ainda hoje não saiba porque raio semiótica existe, mas se se derem ao trabalho de tentar entender garanto-vos que vale a pena. Está divida em dois módulos, o primeiro é teórico e o segundo prático. Gostei muito mais do teórico.

Quanto ao meu 2º semestre, posso já avisar que sinto que juntaram a merda toda e ma ofereceram de bandeja, mas não vos quero assustar:

  • Economia: Tinha medo disto, muito medo. É só introdução à economia e tem poucos cálculos, por isso relaxem. Eu achei interessante, até considerei tirar mestrado em Economia, até que recebi a minha primeira frequência e percebi que, embora não seja a pior uc de sempre, afinal não tenho assim tanto jeito. O professor é muito fixe, sabe explicar bem e tira dúvidas. Mas não podemos faltar a esta cadeira como faltamos às outras, se não estamos lixados. 
  • Métodos Quantitativos: Terror. Pelo menos o meu terror. As aulas teóricas são sociologia de 12º, o que é um bocado aborrecido por ser repetitivo. As aulas práticas consistem na realização de tarefas que nos vão ajudar na elaboração do trabalho de investigação, de grupo com tema à nossa escolha, que temos de fazer ao longo do semestre. Quando tive a primeira aula prática de estatística, deu-me vontade de chorar! Mas eu não tenho matemática desde o 9º ano e no secundário troquei macs por alemão. Tive de aprender tudo sozinha antes do exame, porque as aulas não me serviram para nada. O exame correu-me muito bem e espero não me desiludir quando souber a nota. Os professores são do departamento de sociologia e essa é a única informação que vão querer ter.
  • Sistémica e Modelos da Informação: A professora não acredita em faltas, mas os alunos acreditam nas aulas dela, porque não há muita gente a faltar. Além disso, ela tem uma voz de bagaço gira e também tem piada. A cadeira envolve cibernética, biologia e o estudo de sistemas, assim muito resumidamente. Não dá muitas dores de cabeça. A frequência foi com consulta.
  • Teoria da Imagem e da Representação: Não me lembro de ter ido a muitas aulas, por isso a minha opinião sobre isto é má. A professora é simpática e faz lembrar a de Teoria da Comunicação. É o estudo da imagem ao longo do tempo e envolve economia, religião e política. Ia morrendo de ataque de pânico no exame. 
  • Filosofia da Comunicação: Não fui a (muito) mais de metade das aulas. O professor é brasileiro e amoroso, mas a matéria é uma dor de corno. É sobre o sentido das frases e não faz muito sentido. O ano passado ia um aluno às aulas, segundo os nossos veteranos. Este ano acho que foram, no mínimo, 10, o que pode significar que em setembro vocês podem vir a aumentar o recorde de alunos presentes. A frequência é com consulta e as notas variam entre o 14 e o 16. Há alguns 17 e 18 e também há 8's.

E é isto. Espero que tenham ficado devidamente informados do que vos espera (ou não). Como balanço final, podia ter tirado notas melhores, mas uma média de 14 é bastante bom na universidade, embora seja completamente possível ter mais que isso. Além disso, a vossa vida social vai ser bastante atarefada, com jantares de cursos, idas ao Pato (o famoso café do outro lado da estrada, perfeito para ir beber umas jolas ao fim da tarde), saídas às quintas, festas da faculdade, festas das outras faculdades, saídas só porque sim, enfim, é uma animação. Se tiverem outras dúvidas, façam favor de perguntar, que terei todo o gosto de vos responder. Agora, vou dar por terminada a lição, porque quero ir ver Anatomia de Grey.

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Já fui ao traçar da capa

escrito por raquel, em 16.05.14

Entretanto, enquanto andei afastada deste meu espaço, fui parar aos posts da semana e nem me dei conta, mas é bom saber. De resto, este semestre tem sido muito deprimente, estou a odiar mesmo, mas é a vida, nem tudo nos corre bem. Temos de ver o lado positivo. Já cheguei ao fim de mais uma etapa: fui enterrada e traçaram-me a capa. O enterro foi uma valente seca e o facto de eu e uns amigos termos ido a tribunal de praxe não ajudou, porque ficou um mau ambiente terrível. Se calhar não devia dizer isto, mas espero mesmo organizar um enterro melhor para os meus futuros caloiros. Já o traçar teve a sua piada. Primeiro, porque estava ansiosa pelo momento desde o fim da primeira semana de praxe. Depois porque usar o traje é assim algo de especial. E não tem nada a ver com praxar. É muito mais importante e profundo que isso. Eu posso praxar mesmo sem traje - aliás, muitos colegas meus vão praxar sem trajar, tal como fazem alguns veteranos e doutores do meu curso. Usar o traje é sentir que pertenço realmente à família de CC - não é que já não me sentisse integrada sem traje, mas agora somos iguais, ainda que diferentes. É saber que partilhei resmungos e gargalhadas, que me diverti, que também disse não, que fiz amigos, alguns para a vida. Fiquei muito orgulhosa. Senti-me uma diva, deixem-me que vos diga. Quem me traçou a capa não foi a minha madrinha Bia, porque está em Barcelona de Erasmus. Foi a Joana, a minha primeira escolha para madrinha, que já esgotara as vagas de adopção. Mas não faz mal, é a minha mãe académica para sempre. Sei que posso contar com ela, para o bem e para o mal, quando e onde for preciso. Além da Joana, o meu padrinho Miguel também esteve presente, a meu lado. Não estava trajado, porque veio do trabalho de propósito para me traçar, a mim e ao outro afilhado, e não teve tempo. O que importa é que esteve presente. Foi muito bonito. Eles a explicarem-me como traçar a capa. Só me lembro dos abraços e beijinhos do Miguel. E do grande sorriso da Joana. Não chorei, mas estive perto. Fiquei foi mais emocionada quando, depois do Miguel ter lido a fita que lhe ofereci à luz do telemóvel, me disse que o fiz chorar, que gostou muito e que espera estar mais presente quando o stress de estar a acabar a licenciatura terminar. Também senti umas lágrimas no rosto, admito. Foi bonito, apesar de ter acabado mais tarde do que era suposto e de não ter por isso conseguido assistir à serenata monumental na cidade universitária. Fica para uma próxima, espero. Também tenciono arranjar maneira de no próximo ano letivo o traçar ser no mesmo local da serenata, porque andar preocupado com deslocações é uma merda. Até porque a confusão acaba por ser a mesma, na minha opinião. À parte isso, mal posso esperar por ter afilhados. A parte de praxar nem me chama muito, porque pressupõe uma certa maldade. Mas não interpretem isto mal: ninguém foi mau para mim, mas também não foram propriamente as criaturas mais simpáticas do planeta, tirando algumas excepções. A questão é que os veteranos e doutores não querem fazer amizade connosco, mas que façamos amizade uns com os outros, entre caloiros, porque somos nós que nos vamos acompanhar uns aos outros. É óbvio que fora das praxes eles são super amigáveis e muitos se tornaram nossos amigos, mas lá dentro o objetivo é outro e faz todo o sentido. O problema é que eu sou uma minorca e não vou conseguir gritar com ninguém sem me desmanchar a rir. E depois vou olhar para eles e lembrar-me de mim e vou ficar toda sentimentalona. E depois eu adoro conversar e conhecer pessoas e vou querer logo travar amizade. Mas pronto, hei-de praxar à minha maneira e aposto que ninguém se há-de queixar. E é isto, essencialmente. E escrever e sentir-me apaixonada. E ter ataques de pânico, de vez em quando. É normal e é sempre bom. E resta-me dar o dia por terminado e esperar que o próximo seja melhor. 

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Não sei quantos meses passaram desde o início do ano letivo, desta nova etapa que é experienciar a vida universitária, e não é uma conta difícil de fazer, mas não tenho a percepção imediata dos meses, porque o tempo é realmente relativo, sobretudo quando tudo é novo e eu não deixo de viver como se parar fosse morrer. Porque a questão é que, ainda que estes possam não ser os meus melhores anos, são os melhores para arriscar, pisar o risco, descobrir, aprender o máximo e o melhor possível. Não posso deixar que a vida passe por mim, tenho de ser eu a passar por ela.

No Dia Aberto da FCSH deste ano, o primeiro em que tive a oportunidade de participar, já como aluna da faculdade a representar o meu curso e a tentar aliciar futuros colegas da profissão (que ambiciono ter de pleno direito daqui a dois anos, se tudo correr bem) a juntar-se a mim e aos meus camaradas naquela que é, sem dúvida, e há-de ser sempre também a minha casa, senti uma ansiedade inexplicável. Uma ansiedade de receber jovens que como eu têm sonhos e uma vontade férrea de encontar o tão desejado caminho. Jovens que como eu vão aprender que não existe um caminho, que não há fórmulas certas, que o melhor que podemos (e devemos) fazer com o nosso sonho é alimentá-lo e deixar que ele se transforme à medida das mãos com que lhes tocamos e das com que nos tocam. 

Se o nosso sonho permanece estático e inalterável é porque algo está mal: porque não estamos a absorver nada do que nos rodeia e temos de absorver, tem de ser, porque os homens querem-se gigantes interiores, caixas abertas para o mundo, ainda que com filtros capazes de rejeitar o que não nos acrescenta valor. E é por isto que temos que nos lembrar que nós e o sonho não precisamos de mudar, mas que também não podemos efetivamentes permanecer os mesmos - e descodificar o significado deste aparente paradoxo é o que nos impele a andar para a frente, forward is the word, e para trás e para os lados, para cima e para baixo, mas nunca em círculo, explorando o mesmo vezes consecutivas como discos riscados. Nós é que (ar)riscamos. E se o sonho comanda a vida, nós é que comandamos o sonho. Somos marinheiros, tenho forçosamente de concluir, que somos todos navegadores, ainda que de rios, mares ou oceanos diferentes. Eu escolho todos os dias navegar nas palavras, nas vozes, na informação, nas histórias, na vida de (aspirante) a jornalista, a good one though

Sonho com as reportagens, com as entrevistas, com as críticas e as notícias, os livros quem sabe, e respiro tudo isto, e inspiro tudo isto, e o sonho navega em mim, em todo o meu ser, veias, artérias, poros, orgãos, fios de cabelo, pele, pele, pele, alma e coração, e à medida que conheço mais, experimento melhor, o sonho altera-se comigo. O que desejo é que os jovens que recebi de braços abertos, com o meu entusiasmo característico ainda mais ampliado só para eles, por eles, que esses jovens, que impreterivelmente são e estão, acarinhem esta ideia de serem não contra a maré (só porque sim), mas manobradores dela, porque nem só os peixes sabem nadar. 

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